A eletromobilidade está chegando ao setor do agronegócio brasileiro. O uso de caminhões elétricos para o transporte de cargas, visando atender às necessidades da agricultura e da pecuária, que utilizam grandes frotas de caminhões em suas atividades, faz da transição energética uma conexão direta com a mobilidade de baixo carbono.
Já é possível afirmar que o setor de transporte e logística do Brasil está ingressando em uma fase de implementação e aceleração de soluções, cujo cenário deve incluir diferentes tecnologias atuando de forma complementar.
De fato, para que a eletromobilidade se estabeleça no agronegócio, exige-se mais do que disponibilizar veículos e caminhões elétricos ao produtor rural. É necessária uma infraestrutura capaz de sustentar essa transformação que começa a ser visualizada em um setor tão fundamental para a economia, atendendo quem produz alimentos e também quem atua no varejo, levando essa produção até o consumidor.
Nesse contexto, é importante ressaltar que, de forma estratégica, será necessário dar atenção ao fato de que, para a logística de transporte incluir os veículos elétricos — como os caminhões que chegam do outro lado do planeta para atender às demandas do agronegócio brasileiro —, toda a infraestrutura necessária precisa estar implementada.
É aí que tanto a geração de energia limpa quanto o armazenamento por meio do sistema BESS — da energia gerada e também da fornecida pelas concessionárias — devem ser vistos como partes essenciais, e não acessórias. O sistema de armazenamento de energia é um dos elementos fundamentais da infraestrutura que permitirá à eletromobilidade avançar com maior resiliência e confiabilidade em qualquer setor, inclusive no agronegócio.
Para que a transição energética avance em escala nos setores produtivos de grãos e de proteína animal, são necessários fatores como infraestrutura adequada, financiamento, segurança para investimentos e modelos compatíveis com as diferentes realidades operacionais e regionais.
Independentemente desses desafios, já podemos imaginar caminhões elétricos servindo aos grupos que atuam no agronegócio brasileiro em operações de transporte e armazenamento da produção, economizando custos e ajudando no processo de descarbonização da atividade rural. Isso exigirá uma infraestrutura próxima à dos eletropostos implantados nas áreas urbanas, com a adoção do sistema de armazenamento para uma gestão inteligente da energia, a qual, em muitos casos, é gerada a partir de usinas ou fazendas solares implantadas pelos próprios grupos em suas áreas rurais.
Especificamente no caso do BESS, a tecnologia não deve ser vista simplesmente como um equipamento de armazenamento de energia, mas como parte da infraestrutura energética necessária à expansão da eletromobilidade, ao se vislumbrar essa agenda do novo modelo de transporte de cargas que se configura no Brasil após a enxurrada de veículos elétricos nas cidades.
O certo é que o futuro da mobilidade elétrica não depende apenas de veículos elétricos, inclusive os de grande porte, mas de uma infraestrutura que contemple, além dos carregadores, a geração e o armazenamento de energia. Aliás, o armazenamento é um tema recorrente quando se trata de grãos.
Para garantir que o setor de logística tenha energia disponível, confiável e economicamente eficiente, há a necessidade de uma infraestrutura que assegure a continuidade operacional e dê suporte à expansão da eletromobilidade, inclusive no meio rural. O objetivo é viabilizar um transporte de menor custo que atenda ao conceito de sustentabilidade, garantindo a descarbonização do transporte com o uso de caminhões e veículos elétricos pelo setor de logística.